quarta-feira, 2 de junho de 2010

François Truffaut, Nouvelle Vague e Antoine Doniel.

O diretor de cinema, o francês François Truffaut é um dos responsáveis pela NOVELLE VAGUE, movimento de jovens cinéfilos e críticos franceses da década de sessenta que se reuniram para restabelecer o conceito de cinema do autor, que após a Segunda Guerra Mundial havia dado lugar para o realismo poético francês, que no cinema privilegiava o roteirista.

A intransigência nos moldes narrativos, o amoralismo, os diálogos e montagens inesperadas, originais e não lineares, produções intimistas e de baixo custo são características marcantes dessa "nova onda" que revolucionou não só o cinema francês.




Truffaut tem como tema central as mulheres, a paixão e a infância, sua  teoria autoral, que considera o filme uma produção individual, cuja responsabilidade quase que exclusiva é do diretor, o permitiu criar o personagem Antonie Doniel, considerado seu alter-ego.

Neste projeto, Tuffaut se inspira em suas experiências de infância e pré-adolescencia, inaugurado pelo longa-metragem "Os Incompreendidos", início que rendeu o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes e indicação ao Oscar de melhor roteiro original.

A saga amorosa de seu alter-ego continua nos filmes "Beijos Proibidos", em que Antoine Doniel apaixona-se por Christine, uma violinista burguesa, "Domicílio Conjugal", Antoine Doniel está casado com Christine.

Por último, "Amor em Fuga", em que Antoine Doniel aos 35 anos e separado de Christine, continua o mesmo adolescente de sempre, ainda em busca do amor está apaixonado por Sabine, uma mulher apaixonante diga-se de passagem, que Antoine sempre desaponta.

Antoine encontra Colette, seu primeiro amor, no dia da assinatura de seu divóricio, este encontro o faz questionar seu relacionamento com Sabine, Antonie decide embarcar no mesmo trêm que Collete e começam a discutir a relação. Ambos chegam a conclusão que não existe mais nada entre eles. Ao fim Christine e Colette encontram-se quando ambas tentam persuadir Sabine a se reconciliar com Antoine, por quem elas ainda têm grande afeição.

Outros longa-metragens recomendados da obra de Trffaut são: "Os incompreendidos", "Jules et Jim" e a obra sui-generis na filmografia do autor intiludada "Fahrenheit 451", inspirada na ficção do escritor norte-americano Ray Bradbury, narra a história de uma sociedade totalitária no futuro, em que os livros eram queimados e banidos.

Ainda o filme "Uma noite americana", uma das obras de Truffaut que ganhou mais notoriedade, o filme mistura ficção e realidade e foi premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro,por último, um dos filmes mais premiados do diretor "O Metrô", que conta a história de um dramaturgo judeu que comanda uma peça no porão do teatro.

Apaixonado, idealista e revolucionário, Truffaut se envolve com sua obra de maneira marcante, tanto que suas caracteristicas pessoais são facilmente identificadas em seus filmes - vale a pena conferir!

terça-feira, 1 de junho de 2010

DIAMANTES ESCONDIDOS

Eis um programa que merece ser assistido, CAFÉ FILOSÓFICO, exibido pela TV CULTURA, aos domingos às 23h00 horas e às segundas 00h10.

Nesta edição, a filósofa ,Viviane Mosé, aborda os principais temas de um dos mais polemicos filósofos alemães do século XIX,  Frederich Nietzsche.

Nietzsche foi odiado, excluído, caluniado, mas atualmente suas teorias são o que podemos classificar de ex-mentiras, portanto suas verdades estão na moda e são concebidas por muitos "intelectuais" e estudiosos.

A sociedade do século XXI está cada vez mais compreendendo suas teorias e questionando os valores platônicos, metafísicos, o domínio da alma sobre o corpo, da mutilação dos sentidos em busca de um bem transcendente, da culto ao sofrimento, à fraqueza, da existência do bem e do mal, base do cristianismo e de outras religiões ocidentais.

Os valores pré-socráticos ou naturalistas, como o culto ao belo, ao humano, ao desenvolvimento dos sentidos e à natureza, estão retomando força graças à colaboração de Nietzsche, que pagou caro por questionar valores considerados sagrados em nossa sociedade, ainda mais por seu estilo ousado, àcido e combativo de expor as idéias e confronta-las com os valores fundamentais da sociedade ocidental, tanto que suas idéias só começam a ganhar espaço no final do século XX.

Em última análise, uma crítica só é legítima quando baseada no conhecimento, por isso vale a pena assistir esta edição, assim como as outros do programa, embora escondido num canal público de baixa audiência (apesar de ótimo) e em um horário impróprio para quem tem que trabalhar, é um sacrifício que vale a pena (pena, sacrifício expressões nada Nitzschianas, rs), mas a boa notícia é que todos os vídeos podem ser assistidos no site: http://www.cpflcultura.com.br/posts/videos.

Neste tema em particular, muitas vezes o telespectador pode se sentir agredido pelas duras críticas aos valores da sociedade ocidental a partir de Platão, mas é um raciocínio bem coerente com a atualidade, tendo em vista a decadência das instituições alicerçadas em tais valores.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

"SANTOS E MILAGRES"

                                                                                                                                                      Vênus de Milo: celeuma secular acerca da autoria
Dizem que os ditados populares carregam uma sabedoria que nos passa desapercebida. No meio de uma conversa se a alguém dispara “conto o milagre, mas não conto o santo”, logo percebemos que o objetivo é proteger o autor ou a obra.

Vários motivos cercam este objetivo, pode ser para proteger o "santo", ou o "milagre" de críticas e desafetos ou o “milagre” não é daqueles muito "cristãos", ou simplesmente é uma surpresa que só deve ser revelada pelo “santo”. Mas uma coisa é certa, geralmente o conteúdo do milagre deve ser peculiar, avassalador, que cause espanto e um coro de Ohhhhs, Humns, acompanhado de uma curiosidade desesperadora de saber quem foi o "santo"...

Certa feita, em uma entrevista, um artista contou uma história/parábola moderna em que crianças e seus pais visitavam um museu, o artista em exposição havia se suicidado há pouco,  as crianças estavam sorrindo, felizes e maravilhadas com sua obra, enquanto seus pais  perambulavam no museu como se estivessem num velório.

Nesse sentido, devemos ponderar acerca desse mundo de superexposição, em que as pessoas se submetem e são submetidas compulsivamente. A inversão de paradigma leva as pessoas a se interessarem mais pela vida do artista do que por sua obra, chegam até a valorar a obra dependendo do comportamento de criador.

A arte é cada vez mais associada ao comportamento privado do artista, deveria existir uma bolha que tornasse a arte intacta, ou então um mecanismo social igual a de uma tribo indígena matriarcal, em que ninguém sabe quem é o pai da criança, portanto todos são responsáveis em resguardar sua integridade física e intelectual.

Por outro lado, a obra transcende a existência do autor, em muitos casos há obras que somente recebem a atenção e o valor merecido após a morte do autor. Isto acontece, quando ele transgridem os valores sociais da época, muitos sucumbem a pressão social e procuram fugir se drogando e até mesmo cometendo suicídio. Entretanto, a importância de sua obra transcende as questões pessoais do autor e neste caso o "milagre" se perpetua independente das atitudes do "santo".

domingo, 30 de maio de 2010

THE BAD TASTE FROM ICELAND

Sons esquisitos, idioma cheio de consoantes, vários acentos na mesma palavra, pessoas exóticas, parecem o que realmente são - ISLANDESES. À primeira vista a imagem e o som traduzem uma tribo futurística, sem elo com outra civilização, lembram a civilização de Atlântida, aquela perdida, que uns dizem ter origem extraterrestre, outros dizem ter sido tragada pelo mar. Será que de tanto fazerem barulho, o mar os cuspiu nos mais badalados palcos do mundo?



O fato é que surgiram, e têm história sim, correram por fora do "mercado mundial" criaram seus selos e gravadoras “independentes”, um deles com um nome muito bom "BAD TASTE", que, diga-se de passagem, tem um ótimo argumento de seus criadores - Einar Örn Benediktson e Ásmundur Jónsson. Eles contam que o nome surgiu baseado num brocardo de Picasso, que soa até como um slogan: "O BOM GOSTO É O INIMIGO DA CRIATIVIDADE".

Essas e mais histórias estão registradas em alguns vídeos e livros, um deles é o vídeo álbum ROKK Í REYKJAVÍK, que tem uma pirralha que atende pelo nome BJORK na capa, um dos livros é do Fábio Massari da MTVBrasil, cujo título é Rumo à Estação Islândia.

Dessa nascente, engarrafaram boas amostras tipo exportação, mesmo que na época distribuídas para um público restrito, hoje atingiram uma boa visibilidade no cenário mundial do segmento "ROCK ALTERNATIVO".

Graças à evolução dos meios de comunicação, albuns de bandas como SUGARCUBES, BJORK, SIGUR ROS, entre outros de bandas para "maus gostos" mais apurados, já são encontrados nas prateleiras dos pagues e leves de algumas esquinas do mundo e no nosso querido youtube.

Outra singularidade que chama atenção de quem vai ao show do SIGUR ROS, por exemplo, é que durante o show o público fica estático, extasiado e a única coisa que se houve, além da música, é um rigoroso xiiiiiiii! das pessoas para proteger a pureza do momento.

GOOD OPENING!




Esta é a introdução do clássico Annie Hall, mas poderia ser a introdução da maioria dos filmes desse sujeito que traduz muito bem o que é o ser humano - Hollywood não gosta dele, alguns dizem que sua temática é repetitiva, não vende etc. 

O interessante é que a cada repetição, o espectador tem a oportunidade de perceber quantas possibilidades existem com os mesmos elementos, o quanto somos igualmente diferentes. Independente de qualquer crítica, suas obras são fieis ao que ele se propõe e continuam inabaláveis.

Toda pessoa que conhece sua obra, não tem expectativa, nem frustração, nunca será uma superprodução avassaladora, nem uma inovação cinematográfica, não se espera desdobramentos fantásticos e técnicas para não deixar você piscar, mas o que se vê é algo sutil, seco, direto que cutuca seu subconsciente e um dia você sente que tomou um soco na boca do estomago, não lembra o porquê, mas tem certeza que mereceu.

STARTUP

Cheguei até aqui para nada, nenhuma proposta inovadora, simplesmente registrarei...